Todos nós, quando vamos fazer aniversário, ficamos com aquelas promessas bobas (ou não) sobre nosso próximo ano. Bom, a gente faz isso duas vezes geralmente: tem a do ano novo também.
Mas não quero dizer que isso é uma besteira: pelo contrário, acabo por ver um aprendizado nisso tudo.
Eu lembro de no ano passado ter traçado uma meta. Era mais ou menos assim (porque promessa de aniversário, diferente da de ano novo, a gente nunca lembra...):
"Prometi pra mim mesmo que seria feliz. Não feliz do jeito que tá no cinema - ou pior, no comercial de margarina. Uma felicidade independente disso tudo aí. Independente de que me deixem ser feliz. Independente da hora que eu quiser me entristecer sem motivo. Uma promessa quase que pra não ser cumprida em sua totalidade. Sabe, o objetivo mesmo não era ser feliz: e sim passar da fase do 'sobrevivi mais um ano' para a do 'vivi plenamente e intensamente tudo o que podia, porra!'. Pular o 'emprego novo' e partir para um trabalho que me satisfaça como ser humano (mesmo que o dinheiro não seja lá essas coisas...). O plano eu traçaria na hora. Afinal sempre achei meu taco muito bom."
E hoje, tenho a dizer que aconteceu. Olho pra mim e vejo um cara que, dentro do que havia proposto, cumpriu com o combinado - mesmo não tendo pactuado da melhor maneira com a proposta.
Uma hora lá, enterrado num buraco cheio de problemas.
Hoje, morando sozinho, pagando minhas contas, Diretor da empresa onde trabalho, adoro o que tenho e muito mais o que faço (embora seja difícil), tripliquei meu círculo de conhecidos, colegas e amigos, me desvinculei (mesmo sem querer) de pessoas que faziam mal a mim. Como tava dentro da proposta, tudo isso me afastou um pouco do convívio de algumas pessoas que tenho como exemplo.
(Nota Mental: Blé, essas pessoas já sabem que estão sempre andando comigo, mesmo que de corpo ausente.) (Nota Mental 2: E ainda tem pessoas que acham triste eu não ter namorada.)
Também descobri que algumas coisas são mais fáceis que parecem, alguns perigos não são tão perigosos assim quando se sabe o risco que está correndo, que o suor de hoje fica guardado em algum lugar pra depois voltar... enfim... creio que isso seja amadurecimento, não???
Olha. O aprendizado aqui é o mesmo de sempre. Fazer. Lembro de quando tinha dito que "quero, corro atrás e faço". Carrego cá meus arrependimentos, muita coisa não fiz e ainda acho que devo fazer.
Mas quer saber, ó: se não tiver mais objetivos, não há motivos para caminhar.
Sei lá porque alguém quer ser independente. Sei lá porque alguém quer ter um cargo importante. Sei lá porque alguém quer ser legal (ou ao menos tentar). Sei lá porque alguém quer ter as coisas que gosta. E o pior, fazer tudo o que gosta. Não entendo porque alguém quer construir algo, comprar uma casa, morar num lugar bacana e silencioso à noite, que não seja longe do centro. O pior, sei lá qual é aquele lance de não dar satisfação a ninguém. E o barato de correr atrás de ser sonho de consumo de alguém que nem se sabe direito quem é? Alguém explica tanto tédio?
O que eu entendo bem é aquele desejo de se ter o que não tem. Estou aprendendo a não ignorar o que já tenho a troco de uma ambição qualquer aí.
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Achei uma música bem bacana. Aqui está a tradução:
"Falo de círculos e perfurações Olhando, desenhando círculos Caindo no chão marcando o solo Falando fora da minha vez, desenhando círculos (...) Caminha comigo fora da cidade Ainda, cada pessoa é uma multidão Fazendo anjos na sujeira Observando, dando uma olhada (...) Aturdido por minha própria reflexão Está olhando pra atrás, me vê muito claramente E eu jurei eu nunca ir lá novamente Não diferente de um amigo que educadamente o arrasta pra baixo (...) Obedece, escuta, beija, ama."
"E eu tenho um vinho e você tem um Meu saca-rolha com a cortiça Eu desejo que você faça o mesmo Todo mundo, apenas te ama, então."
Queens of the Stone Age - Broken Box
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Olha. Pare.
Escute, mas não sempre.
Tá cheio de pinturas aqui. E de construções também, já prontas. Com aquelas luzes pequeninas, da época do natal. Vai ver esqueceram de tirar. E isso não importa: porque é meu.
Só quero saber onde você foi parar. Já reparou que é difícil sumir de vez?
Hein? (edit 5 minutos depois: vou fingir que nem vi. - sorriso no canto da boca)